sexta-feira, 19 de setembro de 2008

DEFINITIVO

Uma grande e indiscutivel verdade: já tive dias bem melhores, do que aqueles que hoje saboreio. Mas o Mundo insiste em girar sobre o seu eixo, em prosseguir com a sua corrida eliptica em torno da grande estrela que nos aquece. Zomba de mim na minha cara. O que me ajuda nestes momentos é a poesia. Hoje, enquanto procurava um poema a condizer com o meu estado de espirito, encontrei um texto que conseguiu levantar um pouco o meu moral. Partilho aqui este excerto de Carlos Drummond de Andrade convosco, para que, quem sabe, em dias vossos menos bons, não vos possa ele dar também alguma força e convicção.

“Definitivo, como tudo o que é simples. Nossa dor não advém das coisas vividas, mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram.
Sofremos por quê? Porque automaticamente esquecemos o que foi desfrutado e passamos a sofrer pelas nossas projeções irrealizadas, por todas as cidades que gostaríamos de ter conhecido ao lado do nosso amor e não conhecemos, por todos os filhos que gostaríamos de ter tido junto e não tivemos, por todos os shows e livros e silêncios que gostaríamos de ter compartilhado, e não compartilhamos.
Por todos os beijos cancelados, pela eternidade.
Sofremos não porque nosso trabalho é desgastante e paga pouco, mas por todas as horas livres que deixamos de ter para ir ao cinema, para conversar com um amigo, para nadar, para namorar.
Sofremos não porque nossa mãe é impaciente conosco, mas por todos os momentos em que poderíamos estar confidenciando a ela nossas mais profundas angústias se ela estivesse interessada em nos compreender.
Sofremos não porque nosso time perdeu, mas pela euforia sufocada.
Sofremos não porque envelhecemos, mas porque o futuro está sendo confiscado de nós, impedindo assim que mil aventuras nos aconteçam, todas aquelas com as quais sonhamos e nunca chegamos a experimentar.
Por que sofremos tanto por amor? O certo seria a gente não sofrer, apenas agradecer por termos conhecido uma pessoa tão bacana, que gerou em nós um sentimento intenso e que nos fez companhia por um tempo razoável,um tempo feliz.
Como aliviar a dor do que não foi vivido? A resposta é simples como um verso:
Se iludindo menos e vivendo mais!!!
A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do sofrimento,perdemos também a felicidade.
A dor é inevitável.
O sofrimento é opcional...”



Carnifex Servorum

2 comentários:

Kerhex disse...

Definitivamente o poema é lindo, grande Telmo.
"As Escolhas de Telmo" parecem-me mais apeteciveis do que as do outro.
Mais um texto que me dá a sensação de estar numa
"roller coaster", no entanto, este texto faz muuuuito sentido Telmo, provavelmente sabes o quanto faz sentido.
Agradeço o teu post de apoio no meu blog, que não é de forma nenhuma foleiro, é antes um pouco... Como dirias nas tuas palavras que eu adoro: "Uma espécie de diarreia sentimental", hehe. Vai passando por lá, como eu passo por cá.
Grande abraço para o grande Telmo.

Joana, escritora nos tempos livres disse...

Reitero aqui o que disse o nosso colega lol

O poema é lindissímo. Toca-nos a todos, comuns mortais, que nunca paramos para pensar um pouco no que vale a pena e naquilo que deveria ser facilmente posto para trás das costas.

Continua ;)